Olá.
Vocês se lembram que em outubro
de 2021, o Facebook mudou seu nome para Meta.
A razão? Para significar o pivô
principal da empresa em direção ao metaverso.
Pessoal, na realidade, Zuckerberg
e o Facebook não têm para onde ir. Para sobreviver, a Meta precisa reviver sua
fonte de receita mais importante, ou seja, a publicidade. A publicidade
representou 98% da receita geral do Facebook. 2% são de outras fontes. Quando a
Apple introduziu suas mudanças de privacidade no ano passado, interrompeu um
status quo que ajudou a Meta a dominar a publicidade nas redes sociais.
Espera-se que o recurso App Tracking Transparency da Apple diminua as vendas de
anúncios da Meta em US$ 10 bilhões este ano.
Assim o metaverso pode ser uma
tábua de salvação. Quem dominar o hardware e as experiências de realidade
virtual (realidade virtual, realidade aumentada etc.) receberá uma tonelada de
informações pessoais de usuários explorando ambientes virtuais.
Passei vistas num relatório de
uma empresa americana que em uma sessão de RV de 20 minutos, um fone de ouvido
pode produzir cerca de dois milhões de pontos de dados, incluindo como um
usuário se move, para onde olha (e por quanto tempo) e até mesmo seus
batimentos cardíacos. Num relatório confiável informações como essa são muito
mais valiosas do que cliques e curtidas. Como precursora neste espaço, a Meta
pode estar de volta aos negócios. Será?
Infelizmente para a Meta, seu metaverso
provavelmente falhará, pelo menos, muitas pessoas parecem pensar assim.
Vamos começar com fones de ouvido
VR. “Irritante”, para mim, eles isolam você do mundo real. Eles também são
desconfortáveis e caros.
Pense comigo, mesmo que os
usuários estivessem dispostos a ignorar essas desvantagens não apropriadas, a
Meta ainda está a anos de criar um headset VR que tornaria sua visão do
metaverso uma realidade.
Vários desenvolvedores acham que
a Meta não “tem o conjunto de habilidades” e, pelo menos historicamente, tem
sido terrível em tudo o que você precisa fazer para o metaverso. Esses
desenvolvedores de hardware enfatizam que isso vai levar muito tempo.
Pessoal, não são apenas os fones
de ouvido VR que são o problema. O histórico da Meta na fabricação de software
também não é o melhor, desde sua criação a mídia sempre reproduz que a empresa
é péssima em moderar conteúdo e tem o dom enigmático de tornar a experiência do
usuário pior, não melhor.
O metaverso é uma solução para
problemas inexistentes. As pessoas realmente não querem participar de reuniões
de trabalho virtuais no metaverso. Nem eles querem fazer compras lá. E embora
conhecer pessoas no metaverso possa ser divertido, também é intenso, cansativo
e muitas vezes estranho.
Casos de uso populares de RV, como
jogos ou consumo de mídia, não precisam de um grande intermediário de
tecnologia.
Não precisamos
de outra máquina de vigilância!
Nós, como todos que usamos a
internet, precisamos que a visão da Meta sobre o metaverso falhe.
É espantoso que com sua visão do
metaverso, a Meta está basicamente tentando criar uma versão proprietária da
internet, porque as regulamentações estão tornando os modelos existentes um
lugar melhor para os consumidores e pior para o Facebook. Nessa circunstância o
que é bom para os usuários da Internet é inerentemente ruim para a Meta.
No Brasil os órgãos de
fiscalização têm que estabelecer um padrão de privacidade, é dever procurar
introduzir regras que limitem a vigilância comercial de pessoas e a coleta
biométrica é cada vez mais uma fonte de risco de litígio. Um projeto de lei
federal de privacidade também seria potencialmente excelente.
Reparem que no metaverso, nenhuma
dessas regras se aplicaria. E com todo esforço, e mesmo que o fizessem, não
seriam suficientes. Porque não é apenas o quão rápido seu coração bate quando
você está no metaverso ou se suas pupilas dilatam, é o que terceiros podem
inferir desse tipo de rastreamento biométrico.
Para mim esse caminho é como um
botão 'Curtir' em esteroides, os dados do olhar por si só podem ser usados
para melhorar a publicidade comportamental, diagnosticar condições médicas
(mesmo antes que o próprio usuário saiba) e tirar conclusões sobre o
comportamento sexual de um usuário, e vai por aí. Além disso, como cada
indivíduo tem movimentos corporais únicos, é impossível anonimizar grande parte
dos dados do usuário coletados dos fones de ouvido de RV.
Me resta a dizer que, incapaz de
controlar o tipo de dados que compartilham, os usuários precisam confiar que
quem está por trás do metaverso tratará os dados com responsabilidade. Meta
(anteriormente Facebook) não tem um bom histórico de privacidade do usuário.
Pense nisso.
Sergio Mansilha