sábado, 27 de março de 2021

O novo estilo de vida no trabalho remoto

Aqueles de nós que tiveram a sorte de ter trabalhos que podem ser feitos em casa, levaram o mesmo para a sala de estar, a cozinha e o quarto. Nós nos desafiamos a atingir e até mesmo superar nossas metas pré-pandêmicas, contra probabilidades desfavoráveis. Apesar de tudo, priorizamos o trabalho.

Temos tratado o trabalho como algo a ser levado para casa e apreciado. O trabalho se tornou nosso amante. E nesses novos tempos, nós o levamos para a cama.

Mas, nem tudo é funesto! Temos o passatempo da “conversa fiada”.

Comumente a conversa fiada é algo que muitos de nós sentimos falta ao ir para o escritório, e por um bom motivo, ajuda as pessoas a se sentirem conectadas emocionalmente e aumenta a colaboração e a criatividade. E alguns trabalhadores remotos que precisam desesperadamente de conversa fiada estão perdendo, no entanto, nem todo mundo é fã.

Alguns acham que conversa fiada não é autêntica e uma perda de tempo. Contudo, as conversas não precisavam ser íntimas ou demoradas para oferecer benefícios.

O que vocês acham?

A mudança para um ambiente de trabalho remoto está cortando muitas pessoas das conversas triviais no local de trabalho. E essas são pessoas que antes da Covid-19 e do distanciamento social, conversavam sobre amenidades como um ritual diário nas empresas.

Pessoal, a conversa fiada é importante para nós de outras maneiras, nos deixando à vontade e nos ajudando na transição para tópicos mais sérios, como negociações, entrevistas de emprego, argumentos de vendas e avaliações de desempenho. Vejam esse “Novo Normal” como o terceiro tempo de uma partida.

O ritual diário do local de trabalho, ou seja, pequenas conversas; parece um incômodo quando excessivamente disponível, mas você dificilmente sente sua importância até perdê-la. São os poucos minutos de conexão emocional e encontros que trazem vida ao trabalho. Trocamos cumprimentos ao entrar, vindo do estacionamento, conversando sobre nossos fins de semana enquanto esperamos pelo início das reuniões, e trocamos histórias sobre nossas famílias e por aí vai.

Mas, quando é negativo, pequenas conversas podem deixar os outros ansiosos, embaraçosos, pode ser uma perda de tempo e um veículo para espalhar fofocas e tudo o que é inautêntico.

Com o trabalho remoto, precisamos encorajar novos rituais sociais, como dar tempo no início de cada reunião para que os membros se cumprimentem, troquem gentilezas e façam perguntas divertidas. Portanto, não se esqueça de que os colaboradores remotos também precisam de conversa fiada.

À medida que as organizações consideram sua estratégia de trabalho remoto pós-pandemia ideal, elas precisam de práticas para integrar conversinhas em seus ecossistemas de trabalho. A boa notícia, quero dizer, no meu ponto de vista, é que a paisagem virtual apresenta uma oportunidade surpreendente de aumentar o valor da conversa fiada.

Vai uma dica: Incentive novos rituais sociais. Trabalhar em casa confundiu os limites entre o trabalho das pessoas e suas vidas pessoais e, sem rotinas como o deslocamento diário para dividi-las, muitos colaboradores estão lutando para mudar de marcha entre os dois. Dessa forma, a conversa fiada pode ajudar as pessoas a se desvencilharem do papel de “casa” e se adaptarem a um pensamento empresarial.

Enfim, o que dizer então do impacto da “conversa fiada” entre os colaboradores, no qual, ela se mostra edificante e perturbadora, mas venhamos e convenhamos os aspectos positivos superaram os negativos e os negativos podem ser gerenciados.

Pense nisso.

Sergio Mansilha




sábado, 20 de março de 2021

Force-se a gerar dezenas de ideias

Sempre reafirmo em minhas palestras e artigos que escrevo, que uma boa organização avalia métricas e desempenho com base na contribuição de valor. Se você é decente em seu trabalho, está contribuindo com valor (no entanto, o valor pode ser difícil de medir). Mas se você for capaz de treinar e passar conhecimento para outras pessoas de forma consistente e bem-sucedido no que faz, estará aumentando seu valor exponencialmente, e isso o coloca numa posição de liderança.

Já escrevi vários artigos sobre liderança, e sempre preconizo que não podemos esquecer que um aspecto principal da liderança eficaz é ser capaz de espalhar seu conhecimento para outras pessoas, aumentando o seu impacto positivo e de outras pessoas na organização. E isso não passará despercebido, também não significa que você precisa entrar na gestão para progredir; é uma maneira sutil de levar sua função em uma organização a um perfil muito mais elevado.

Pessoal, compartilhar nosso conjunto de conhecimentos e habilidades com outras pessoas é fundamental para o avanço moderno e para abrir espaço para novas ideias, especialmente à medida que nossas pilhas de tecnologia se tornam cada vez mais complexas e especializadas.

Compartilhar o que sabemos não apenas ajuda outras pessoas nas organizações, mas também ajuda as próprias carreiras, e pegando esse gancho de compartilhar conhecimento, aproveito esse ensejo diante de inúmeros e-mails que recebo solicitando que eu escreva um artigo sobre a “ habilidade de escrever”. Então vamos em frente....

Costumo acordar muito cedo. Muito cedo. Cinco horas é o padrão. Minha manhã começa tentando não me levantar antes do nascer do sol. Mas quando o faço, é porque minha cabeça está muito cheia de palavras, e eu só preciso chegar à minha mesa e começar a despejá-las em um arquivo. Eu sempre acordo com frases entrando em minha cabeça. Portanto, chegar à minha mesa todos os dias parece uma longa emergência.

É engraçado, as pessoas costumam perguntar como me disciplino para escrever. Não consigo entender a pergunta. Para mim, a disciplina é desligar o computador e deixar minha mesa para fazer outra coisa. A escrita em vários gêneros pode ser um desafio, mas também pode ser uma maneira de atender às diferentes partes de suas necessidades criativas.

Eu conheço muitos escritores que tentam atingir uma contagem de palavras definida todos os dias, mas para mim, o tempo gasto dentro de um mundo ficcional tende a ser uma medida melhor de um dia de escrita produtivo. Acho que sou bastante generativo como escritor, posso produzir muitas palavras, mas o volume não é a melhor métrica para mim. É mais uma questão, ou seja, eu escrevi por quatro ou cinco horas de tempo concentrado, quando não saí da minha mesa, não encontrei alguma distração para me tirar do mundo da história.  Consegui ficar parado e me comprometer a colocar palavras na página, sem decidir no meio da frase que é mais importante verificar meu e-mail.

Assim, decidi que o truque é persistir nisso por várias horas, independentemente de sua própria avaliação vacilante de como a escrita está indo. Aparecer e ficar presente é um bom dia para escrever.

Se há algo garantido para injetar interesse em sua escrita, é realmente estar interessado no que você está escrevendo. A paixão por um assunto surge naturalmente em sua escrita, normalmente tornando-a mais animada e envolvente, e infundindo um entusiasmo contagiante em suas palavras, da mesma forma que é fácil conversar com conhecimento de alguém sobre algo que você acha interessante. Isso torna relativamente fácil escrever de forma interessante sobre um assunto pelo qual você tem uma verdadeira paixão. No entanto, surgem problemas quando você é forçado a escrever um ensaio sobre assuntos pelos quais não tem entusiasmo. É difícil despertar paixão pelos assuntos que você menos gosta, e isso vai transparecer na sua escrita.

Acho que é ruim na maior parte do tempo, os períodos em que escrever parece fácil e intuitivo. Mas acho que essa é provavelmente a proporção comum de alegria e desespero para a maioria dos escritores, e definitivamente acho que se você puder fazer as pazes com o fato de que provavelmente terá que jogar fora 90 por cento de seu primeiro rascunho, então você pode relaxar e até quase gosto de “escrever mal”.

Eu particularmente gosto do elemento surpresa e espontaneidade, de deixar a história encontrar seu próprio caminho. Por esse motivo, acho que escrever um primeiro rascunho é muito difícil e trabalhoso. Muitas vezes, também é bastante decepcionante. Quase nunca acaba sendo o que eu pensava que era, e geralmente fica muito aquém do ideal que eu tinha em minha mente quando comecei a escrevê-lo. Adoro reescrever, no entanto, um primeiro rascunho é na verdade apenas um esboço ao qual adiciono camada, dimensão, sombra, nuance e cor. Escrever para mim é basicamente reescrever. É durante esse processo que descubro significados, conexões e possibilidades ocultas que perdi da primeira vez. Ao reescrever, espero ver a história se aproximando do que minhas esperanças originais eram.

Contar histórias pode ser uma maneira incrível de dar vida aos seus insights. Relatos reais ou histórias fictícias bem contadas podem servir para tornar as grandes ideias mais fáceis de entender e funcionam melhor quando representam cenários típicos, não casos extremos. Boas histórias costumam ser as partes mais memoráveis ​​dos artigos e tornam suas ideias e afirmações mais fáceis de lembrar.

Eu escrevo muito material que sei que vou jogar fora. É apenas parte do processo. Tenho que escrever dezenas de páginas antes de chegar à página um.

Enfim, conheci tantas pessoas que dizem que têm um livro, mas nunca escreveram uma palavra. Para ser um escritor, isso pode parecer banal, eu sei, você tem que escrever de verdade. Você tem que escrever todos os dias, e você tem que escrever quer tenha vontade ou não. Talvez o mais importante, escreva para uma audiência de um, quero dizer, você mesmo. Escreva a história ou seu artigo que você precisa contar e deseja ler. É impossível saber o que os outros querem, então não perca tempo tentando adivinhar. Basta escrever sobre as coisas que te incomodam e te deixam acordado à noite.

Eu também costumo dizer, escreva artigos que eduquem seus leitores e os ajudem a encontrar as respostas de que precisam.

Pense nisso.

Sergio Mansilha




sábado, 13 de março de 2021

Confiança do cliente, então comece com o propósito

É notório que os setores da sociedade têm evoluído em uma direção baseada em valor ou propósito há algum tempo.

Cito alguns exemplos:

As empresas de serviços financeiros estão cada vez mais focadas em ajudar os clientes a alcançar o bem-estar financeiro;

As organizações de saúde estão mudando para modelos de atendimento centrados no paciente;

As concessionárias estão enfatizando a equidade energética e um planeta mais limpo;

Assim, nos esforçamos muito para diferenciar nossas organizações e impulsionar o crescimento, elaborando e entregando experiências de cliente incríveis, e sem esforço. Isso é extremamente crítico, mas as tendências e desenvolvimentos recentes estão nos obrigando a prestar igual, ou maior atenção ao propósito e aos valores ao projetarmos o futuro. O que está mudando é o senso de urgência devido ao impacto nos negócios.

Pessoal, viver a pandemia mudou muitas coisas. Isso forçou as pessoas a se sentirem confortáveis ​​trabalhando e fazendo negócios por meio dos canais digitais, e essas novas formas provavelmente vieram para ficar. Por exemplo, numa pesquisa que passei vistas a mesma informa que seis em cada dez clientes não planejam retornar às agências bancárias após o retrocesso do COVID-19. O que antevejo que o maior conforto com canais digitais abre muito mais opções para os consumidores.

Mais fundamentalmente, a pandemia levou as pessoas a reconsiderar o que é importante para elas. Numerosos estudos documentam aspectos dessa mudança. Inúmeras pesquisas relatam que a pandemia mudou os produtos e serviços que as pessoas consideravam importantes e disseram que a pandemia as fez reavaliar como gastam seu tempo, dessa forma, reavaliando seus objetivos de vida.

O que estou observando é que ao mesmo tempo, a Geração Z está amadurecendo e agora é o segmento de crescimento mais rápido de consumidores e funcionários. Gen Zers são bem conhecidos por suas diferenças em relação às gerações anteriores. Como nativos digitais, eles esperam interações personalizadas omnicanal, rápidas e sem atrito. Eles gostam de conversar e compartilhar. Eles valorizam confiança, integridade e transparência. Esta geração também é conhecida por seu desejo por um propósito maior e por fazer a diferença, me parece que eles em sua maioria querem criar pessoalmente algo que mude o mundo.

A Geração Z também tem opiniões fortes sobre as questões de desigualdade racial que vieram à tona em 2020, mas a população em geral também tem.

Na atual conjuntura, a polarização da sociedade está forçando as empresas a tomar uma posição, ou seja, a pandemia, o clima político e a desigualdade racial estão contribuindo para uma maior polarização da população. Agora, mais do que nunca, as empresas são desafiadas a mostrar sua posição em relação aos tópicos sociais. Diante disso, acredito que as questões sociais, econômicas e morais terão um papel cada vez mais importante na tomada de decisões organizacionais.

Sabemos que as marcas tradicionalmente refletem o sentimento do consumidor para refletir as atitudes predominantes, mas esse equilíbrio se torna cada vez mais precário à medida que a sociedade se polariza. Em um cabo de guerra por questões, o comprometimento exige que a marca esteja totalmente por trás de um conjunto de crenças. Encontrar essa plataforma de valor é mais fácil para marcas com propósitos; diante dessa premissa as marcas tradicionais precisam trabalhar com grande deliberação para estabelecer os valores que irão manter sagrados.

O que observo é que; com a democratização dos canais digitais, oferecer uma experiência do cliente sem esforço agora pode não ser suficiente para diferenciar uma organização. Isso significa que as empresas precisam empregar uma abordagem humana ou orientada por valores para projetar experiências do cliente que atendam às demandas por um maior senso de propósito.

Evidente, ter um senso de propósito claro e ressonante é um pré-requisito. Em um mercado que valoriza o propósito, é extremamente importante manter o pulso sobre o que é importante para seus clientes e funcionários, e entender como você está fazendo em relação a cumprir essas expectativas, condições de mercado e tendências que estão em constante evolução em um ritmo turvo. Isso não é algo que você possa medir periodicamente. Você deve ter programas de medição operacionalizados (Voz do Cliente / Funcionário), ferramentas e processos para medi-la continuamente e fazê-los informar e orientar sua estratégia e execução.

Vejo que a pandemia pode ter democratizado as interações digitais, mas essas interações ainda podem fazer ou quebrar a experiência do cliente. Especificamente, o papel da inovação digital passa a ser o de garantir que a infraestrutura do negócio não atrapalhe o cumprimento do objetivo e que a organização possa responder rapidamente às necessidades em constante mudança.

Em outras palavras, sua estratégia digital deve ser sobre como tornar a experiência perfeita para habilitar seu propósito, em vez de simplesmente se esforçar para fornecer uma experiência perfeita.

Enfim, é importante abordar a inovação digital como um processo contínuo sem um ponto final definido. Dada a evolução da tecnologia, ameaças competitivas e expectativas do consumidor, as interações digitais precisarão de ajustes contínuos para garantir que você esteja equipando a organização para cumprir sua promessa orientada para o propósito.

Pense nisso.

Sergio Mansilha




domingo, 7 de março de 2021

Opinião

Big Brother Brasil!

Estar confinado ganhou um novo significado, o gênero reality show é uma área especialmente sub-representada e precisa ser mais inclusiva em todo o desenvolvimento, elenco, produção e todas as fases da narrativa, e me parece que nessa edição (BBB21) isso está acontecendo.

Não é segredo que muitas pessoas vão para o Big Brother para se tornarem potencialmente celebridades e influenciadores da mídia social. Embora ganhar o cobiçado prêmio de R$ 1,5 milhão, seja sempre bom, apenas um competidor pode se tornar o vencedor no final. Consequentemente, todos os outros hóspedes devem encontrar maneiras diferentes de capitalizar seu tempo no programa após o término da temporada. Felizmente, uma grande parte de competidores acumularão seguidores online suficientes e construirão carreiras inteiras a partir de sua fama de Big Brother.

Por um outro lado, temos que observar que as idas e vindas sobre a transformação da televisão são constantes, houve uma mudança na maneira como o público é compreendido. A tradição da pesquisa de comunicação de massa considerava o público como uma abstração estatística ou um mercado complexo aberto à manipulação pelas forças de regulamentação, propaganda ou programação.

Da mesma forma, a compreensão do telespectador como uma construção textualmente produzida esvaziada pelas estruturas do programa de televisão foi substituída por uma noção mais fluida do intercâmbio dinâmico entre o telespectador particular e o fluxo da televisão, com atenção também para os mais difusos usos sociais da televisão, em conversas sociais e processos culturais de auto definição, e isso acontece nesse reality.

E como identificar esse parâmetro?

O público quer pessoas reais, eles querem que as pessoas apareçam e sejam genuínas, e isso é o bom, o ruim, o feio e, ocasionalmente, o inspirador e maravilhoso.

Pessoal, programas que são atraentes o suficiente, facilmente digeríveis, amplamente previsíveis e nos quais as apostas mal poderiam ser menores estão se mostrando populares em uma época de perigo elevado, como essa pandemia.

Controvérsias não são novidade para o Big Brother. Desde a estreia do programa no Brasil, o reality show ganhou as manchetes em uma série de tópicos. A cada temporada, as disputas nos bastidores só aumentam.

As pessoas estão se voltando para programas mais alegres e escapistas. Reality TV é geralmente muito mais entrecortado e editado com muita rapidez, então não há muito tempo para pensar em uma coisa antes de começar a próxima. Isso provavelmente serve aos nossos cérebros de dispersão em um momento em que estamos achando mais difícil nos concentrar.  

Por mais edificante ou não edificante que seja, há algo reconfortante na fórmula e no ritmo do reality show que o torna ideal para assistir a um momento em que as pessoas estão assistindo mais televisão do que nunca.

Então, o Big Brother tem um apelo perverso particular na época de pandemia?

Certamente, eles oferecem um frisson de reconhecimento com os competidores confinados por dias a fio, discutindo sobre tarefas domésticas ou suprimentos de comida decepcionantes (Xepa) e lutando contra o tédio.

Será que podemos observá-los com mais empatia do que no passado?

Superficialmente, “Big Brother” é indiscutivelmente terrível. O show tranca um grupo de estranhos em uma casa cheia de câmeras juntos para participar de desafios físicos e mentais enquanto eles votam uns nos outros, semana após semana; a última pessoa em pé ganha um prêmio de R$ 1,5 milhão. Isso leva a facadas pelas costas, colapsos e todos lentamente perdendo suas mentes, já que não há contato com o mundo exterior por meses. Muitos membros do elenco geralmente não são o que você chamaria de “respeitáveis”.

Por outro lado, o espetáculo de humanos vivendo sua existência diária e fazendo as coisas mais simples; sair, tomar sol com colegas, tocar seus rostos, lavar as mãos sem cantar parabéns para você e assim por diante torna-se uma forma particularmente melancólica de escapismo. Reality TV tem uma intimidade que a torna bastante poderosa neste momento. Os programas nos aproximam de pessoas reais. Também é muito fascinante assistir programas sobre a interação humana em um momento em que isso é algo que realmente não somos capazes de fazer.

A Rede Globo parece estar apostando fortemente nessa temporada, especialmente depois que alguns concorrentes foram manchetes nacionais por suas personalidades e caráter mal vistos.

Além dos aspectos sociológicos surpreendentemente ricos, “Big Brother” não recebe crédito suficiente por ser um jogo de estratégia. Claro, existem encontros (show romances) e brigas e absurdos normais de reality shows, embora o pensamento crítico seja crucial. Você tem que habilmente ser atraente para seus outros competidores e formar alianças e, ao mesmo tempo, saber quando se tornar perverso e votar a saída de seu aliado. Algumas pessoas são brilhantes; outros são desastres.

Os personagens (competidores) nem mesmo tem belas paisagens e natureza para distraí-lo da loucura. Exatamente a mesma casa cafona e de cores vivas durante todo o verão, presa com pessoas com quem você precisa desesperadamente sair para passar o tempo ... mas que também vão te trair em um segundo.

E não, assistir “Big Brother” não vai aumentar seu QI. Os produtores sempre se concentram nos elementos mais ridículos da personalidade de um competidor, e o programa é habilmente editado para manipular várias imagens de heróis e vilões.

Certamente não estou sozinho em minha visualização. Milhões de pessoas assistem a cada episódio, um número não muito impressionante até você considerar:

É o verão quando a audiência da TV diminui.

O programa é transmitido diariamente.  Isso sem contar as pessoas que desembolsam dinheiro para assinar os feeds ao vivo da Internet, que mostram a ação em casa 24 horas por dia, sete dias por semana. Os observadores obsessivos de feeds ao vivo geram várias comunidades online bastante impressionantes com feeds do Twitter e sites que rastreiam cada movimento.

Na verdade, isso faz com que "Big Brother" se torne muito mais intenso na era da mídia social, onde o comportamento horrível de um membro do elenco pode ter sido notado apenas pelos espectadores mais dedicados antes, e que agora se torna viral.

Enfim, vencer muitas competições e chegar longe em uma temporada nem sempre é o melhor indicador de que um competidor se tornará popular depois de seu tempo no programa. É óbvio que ter mais exposição no programa certamente ajuda, e quando se trata dos competidores mais seguidos, muitos deles jogarão “Reality show” mais de uma vez e durarão muito tempo em suas respectivas temporadas.

Pense nisso.

Sergio Mansilha




segunda-feira, 1 de março de 2021

A cultura da bondade e a gentileza na vida pessoal e corporativa

No ano de 2018 tive algumas experiências profissionais interessantes. Ao falar com empresas e corporações sobre o conceito de infundir uma cultura de gentileza no local de trabalho, a resposta comum que ouvia era: 

“Não temos tempo, recursos ou mão de obra para cultivar uma cultura de gentileza. Temos prazos e metas que nossos colaboradores e a empresa precisam atingir. Simplesmente não podemos acumular outra coisa. ”

Essa simples declaração de “Não temos tempo” é uma indicação de que a percepção fundamental do termo “Bondade” e “Gentileza” está sendo mal interpretada e mal compreendida.

Então, a gentileza e a bondade são algo para o qual precisamos encontrar tempo?

Vamos fazer uma reflexão, para responder a essa pergunta, precisamos primeiro entender se a gentileza e a bondade é uma ação ou um modo de vida.

Se a gentileza era algo para o qual precisávamos alocar tempo em vez de fazer parte de nossa essência, então a gentileza pode mudar na escala de prioridade; às vezes, sendo importante e outras vezes, não tão importante. Mas a verdade é que a gentileza não é nem nunca será uma ação, embora muitas vezes esteja associada a ações como o voluntariado ou o trabalho de caridade.

Pessoal, uma das grandes tragédias da pandemia é a extensão em que o distanciamento social reduz as ocasiões de interações diárias entre amigos e estranhos, o que, por sua vez, reduz nossas oportunidades de praticar a bondade, a gentileza. Essas interações cotidianas que normalmente consideramos certas fornecem muito do calor que nos garante nossa humanidade compartilhada. Sem elas, nossas relações tornam-se gradualmente mais frias e frágeis; nosso discurso público tem mais probabilidade de ser caracterizado por desconfiança e suspeita.

Já a grande vantagem dos atos de bondade é que não importa muito se são realmente úteis. Pense em quantas vezes ficamos no caminho uns dos outros enquanto seguramos uma porta aberta. No entanto, a troca oferece uma oportunidade de reconhecer a presença um do outro, acenar com a cabeça, murmurar "obrigado". É apenas uma das muitas maneiras de mostrar que percebemos e nos importamos uns com os outros, mesmo que esse cuidado seja expresso de maneira estranha.

Para que a bondade floresça, ela deve ser vista como um estilo de vida. Deve se tornar parte de nossa essência, nossa natureza, e estar embutido em todas as facetas de nossas vidas da mesma forma que respirar e piscar. Desde a maneira como falamos, os e-mails que enviamos, a maneira como olhamos para as pessoas, falamos sobre as pessoas, a maneira como entramos em nosso escritório, e com isso a gentileza deve estar presente em cada interação.

A bondade é tão boa para quem dá como para quem recebe. Mesmo se fôssemos todos tão autossuficientes a ponto de nunca precisarmos de ajuda, teríamos que inventar desculpas para ajudar e ser ajudados. A gentileza é tão importante para o nosso bem-estar.

É surpreendente, então, que a gentileza não apareça em muitas das listas clássicas de virtudes morais. Existem as virtudes cardeais: justiça, coragem, sabedoria e temperança. Aristóteles acrescentou liberalidade, magnanimidade, orgulho e paciência.

De uma certa forma, a bondade também não aparece muito nas listas contemporâneas de valores essenciais; e no mundo corporativo se torna evidente.

Vou citar alguns exemplos: A Proctor & Gamble Co. tem uma lista de valores que é bastante típica de empresas grandes e bem estabelecidas: integridade, liderança, paixão por vencer e confiança.

A Nike tem alguns valores centrais criativos, como “simplifique e vá” e “seja uma esponja”, mas, infelizmente, “seja gentil” não está entre eles. Eu particularmente acho que prefiro ser gentil do que ser uma esponja...rs.

E a empresa que quer ensinar o mundo a cantar em perfeita harmonia?

Certamente, a Coca-Cola valoriza a gentileza acima de tudo. Não. Seus valores consistem nas suspeitas usuais: liderança, colaboração, integridade, responsabilidade, paixão, diversidade e qualidade.

Você pode pensar que o Facebook valorizaria a gentileza, especialmente porque eles têm tudo a ver com “gostar” e “amigos”, mas você estaria errado. Aqui está o que o Facebook considera mais importante: foco no impacto, agir rápido, ser ousado, ser aberto e construir valor social. Eles se saem muito bem nos primeiros quatro, mas lutam com o último. Talvez eles tivessem mais sucesso na construção de valor social se seus algoritmos promovessem gentileza em vez de polarização.

Pessoal, a gentileza é a maneira como vemos o mundo e as pessoas que nele vivem, mas a gentileza primeiro tem que começar com a maneira como nos vemos. Precisamos fazer as perguntas:

Quem somos nós?

Quem queremos ser?

Como escolhemos ser lembrados?

Devemos nos colocar sob nosso próprio microscópio e fazer perguntas difíceis que nos ajudarão a determinar os valores que queremos defender, como: honestidade, integridade, lealdade, humildade, etc.

Quando trabalhamos em nosso caráter e desenvolvemos nossos valores, a gentileza é um subproduto natural, nenhum tempo é necessário para ser gentil, nós simplesmente “Somos”. Bondade, portanto, pode ser vista como a soma de caráter e valores.

Afinal, não reservamos tempo para ser honestos. Ou somos ou não somos.

Cada um dos principais traços de caráter e valores vinculados à bondade resulta em um você mais gentil. Quando você vive esses traços de caráter regularmente, isso inspira todas as pessoas em seu círculo imediato a querer perseguir esses mesmos traços de caráter e valores.

Lembre-se disso, você não pode ensinar alguém a ser honesto falando sobre a importância da honestidade, ou ensinar integridade a alguém falando sobre a importância da integridade. Você só pode ensinar esses valores a alguém os vivenciando por si mesmo e defendendo esse valor. Quando vivemos em tal verdade e harmonia com nossos valores e nosso caráter, somos indivíduos mais felizes e eficientes. Quando estamos mais felizes, criamos felicidade ao nosso redor. Torna-se contagioso e as pessoas querem ser picadas por esse mesmo inseto. Naturalmente, eles também começarão a olhar para seu caráter e seus valores, e se questionarão sobre como podem se tornar a melhor versão de si mesmos.

Uma cultura da bondade é viver os princípios que dizemos que defendemos. Cada empresa tem seus valores essenciais. Eles são bonitos em um pedaço de papel ou como sinais na parede, mas vivemos por eles, o que vocês acham?

Não se trata de encontrar uma ação física ou iniciativa que prove que acreditamos neles. Em primeiro lugar, trata-se de conduzir nossas próprias vidas por esses valores essenciais. Se o valor central de uma empresa é a integridade, deixe todos os colaboradores de cima para baixo avaliarem se estão tratando as pessoas com integridade. Isso, por sua vez, levará a um ambiente empresarial mais amável, esculpindo o caminho e, finalmente, toda a jornada da própria empresa. Tudo começa com aquela pessoa.

Não existe uma solução rápida para transformar a cultura de uma empresa. Não é uma conquista que seja claramente eliminada de uma lista. É uma labuta constante, dia após dia. É uma obra do coração e começa com os líderes que dão o tom para todos aqueles que estão observando cada movimento seu. Se o CEO de uma empresa é visto sorrindo e cumprimentando as pessoas com atenção e autenticidade, isso se torna a cultura da empresa porque ele, por sua vez, dá o tom para que os outros o sigam, e nenhum sinal foi necessário.

Um mundo sem bondade e gentileza não é aquele que eu gostaria de habitar, não importa o quão eficiente essa sociedade seja em satisfazer nossas necessidades.

Nunca conheci uma pessoa gentil de quem não gostasse, mesmo que discordasse de sua política ou não tivéssemos interesses em comum. Um único ato de bondade é suficiente para acender a centelha de uma amizade potencial. Afinal, a palavra "gentil" vem da mesma raiz que a palavra "parente". Ser gentil é tratar alguém como família.

Acredito que os brasileiros sempre valorizaram a bondade e a gentileza, mas tendemos a ignorá-la. E o perigo de negligenciar algo é que gradualmente o perderemos sem perceber sua perda. Para valorizar genuinamente algo, é preciso nomeá-lo, sustentá-lo como algo que vale a pena imitar e transmitir.

Dessa forma, vamos cada um se concentrar mais no trabalho do coração e fazer a pergunta:

Pelo que queremos ser conhecidos? O resto cuidará de si mesmo.

Enfim, se há uma lição que aprendi mais do que todas as outras durante essa pandemia, é valorizar e celebrar cada pequeno ato de gentileza diário.

Pense nisso.

Sergio Mansilha




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